Quanto cobrar para organizar Rodadas de Negócios na sua cidade?
- Carlos Alberto
- 27 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
Atualizado: 27 de dez. de 2025

Essa é, sem dúvida, uma das perguntas mais difíceis — e também uma das mais frequentes — que recebemos de quem deseja começar a organizar rodadas de negócios. Não existe um valor único ou uma tabela fixa, porque o preço está diretamente ligado ao formato da rodada, ao perfil das empresas e ao objetivo do evento.
O erro mais comum é tentar aplicar o mesmo valor para todos os tipos de rodada.
O valor muda conforme o tipo de rodada
O primeiro ponto que precisa ficar claro é que rodadas multissetoriais e rodadas setoriais têm lógicas completamente diferentes, inclusive na precificação.
Em rodadas multissetoriais, o foco está na conexão ampla, no networking estruturado e na geração de oportunidades iniciais entre empresas de diferentes segmentos. Normalmente, esse tipo de evento é voltado para pequenas e médias empresas, prestadores de serviço e profissionais que atendem vários nichos.
Já nas rodadas setoriais, especialmente quando envolvem empresas âncoras de médio ou grande porte, a lógica muda completamente. Aqui, o evento passa a ter caráter estratégico, muitas vezes ligado diretamente a processos de compra, homologação de fornecedores ou parcerias comerciais de alto valor.
Rodadas multissetoriais: valores mais acessíveis
Em rodadas multissetoriais, o valor de participação costuma ser mais acessível justamente porque:
o público é mais amplo;
o risco percebido pelo participante é menor;
o objetivo principal é gerar conexões e iniciar relacionamentos.
Nesses casos, a precificação geralmente leva em conta fatores como:
realidade econômica da cidade;
perfil das empresas participantes;
estrutura do evento;
recorrência das rodadas.
O organizador costuma trabalhar com volumes maiores de participantes e eventos recorrentes, o que dilui custos e torna o modelo viável mesmo com valores menores por empresa.
Rodadas setoriais: outro patamar de investimento
Quando falamos de rodadas setoriais envolvendo empresas âncoras, o cenário muda completamente. Aqui, o participante não está pagando apenas para “networkar”, mas para ter acesso direto a decisores, compradores e oportunidades reais de negócio.
Nesses casos, o valor de participação pode atingir níveis muito mais elevados. Não é exagero afirmar que, em determinados contextos, o investimento para participar de uma rodada setorial pode ser centenas de vezes maior do que o valor cobrado em uma rodada multissetorial.
Isso acontece porque:
o público é altamente qualificado;
existe demanda real de compra;
o número de vagas costuma ser limitado;
o retorno potencial é muito maior.
Para muitas empresas, pagar um valor alto faz sentido quando existe a possibilidade concreta de fechar contratos relevantes.
Não existe preço certo, existe posicionamento
Mais do que definir um valor, o organizador precisa entender como está posicionando o evento. Rodadas multissetoriais funcionam muito bem como porta de entrada, construção de autoridade e formação de base. Rodadas setoriais funcionam como eventos premium, estratégicos e altamente direcionados.
Misturar essas duas lógicas costuma gerar problemas: ou o evento fica caro demais para o público errado, ou barato demais para a proposta que entrega.
Começar simples é, muitas vezes, o caminho mais inteligente
Para quem está começando, a estratégia mais comum — e segura — é iniciar pelas rodadas multissetoriais, validar o formato, entender o mercado local e construir reputação. Com o tempo, o organizador passa a conhecer melhor os segmentos, identificar demandas específicas e estruturar rodadas setoriais mais robustas.
Nesse processo, o valor cobrado evolui naturalmente junto com a complexidade e o impacto do evento.
O preço acompanha o valor gerado
No fim das contas, a pergunta não é apenas “quanto cobrar”, mas quanto valor o evento entrega para quem participa. Rodadas de negócios bem organizadas, com público certo e objetivo claro, permitem trabalhar desde valores acessíveis até investimentos elevados — desde que a proposta esteja alinhada com o perfil do evento.
Entender essa diferença é fundamental para precificar corretamente e construir um modelo sustentável de rodadas de negócios na sua cidade.




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